quinta-feira, 5 de junho de 2014

Como andar de Skate

Certo dia, observando um jovem andar de skate, fiquei pensando em quanto andar de skate se parece com viver a vida. Parece ser libertador estar sobre quatro rodinhas, mas mais libertador ainda deve ser conseguir ficar em pé nessas quatro rodas. Admito que já tentei andar de skate e não quis levar essa aventura a sério, mas respeito quem anda não só por andar, mas porque tenho a impressão de que quem aprende a andar de skate deve aprender a cair também. Essa é a questão, saber cair.

Somos ensinados a ascender, a ir sem olhar pra trás quando o passado também faz parte de nossa história, as quedas fazem parte da nossa história. Sem elas não aprenderíamos, não arriscaríamos e mais, arriscaria dizer que muita coisa depende do ângulo em que a queda é vista, faz todo um diferencial. A questão é que não somos ensinados a cair, diga-se de passagem, alguns pais até brigam com os filhos quando caem, quando deveriam enfatizar o levantar, enfatizam a queda.

Saber cair deveria ser condição sine qua non para viver. Saber cair é ter coragem, é admitir que não deu certo, é ter humildade pra assumir seus erros, é saber cair pra não ficar no chão. Saber cair é cair pra levantar e não cair pra afundar-se na lama da vergonha. Então, depende do ângulo mesmo. Se não caíssemos, não saberíamos andar. Quando sabemos cair arriscamo-nos até que dê certo. Quando sabemos cair, simplesmente não temos medo de arriscar, de tentar, de levantar e mantemos o foco no conseguir, no objetivo real ou alguém já viu uma criança desistir de andar depois de um tombinho?

Não é vergonha cair, é vergonha cair e ficar no chão, esperando os outros fazer o que só nós podemos fazer por nós mesmos, é não pedir a mão para admitir que precisa de ajuda, ajuda pra levantar, pra seguir em frente, pra viver. Não tenha vergonha de suas quedas, orgulhe-se delas, porque de alguma forma, as quedas te dão sabedoria para escolher o melhor caminho ou simplesmente, trilhar o seu caminho de forma mais rica e mais leve.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dar nome aos bois

Expressão tão comum que deveria ser mais presente em nossas vidas, ou melhor, em relação nosso órgão sexual. A relação que temos com o órgão, nós mulheres em especial, nem sempre é normal, ou até humana e muito menos motivadora. Falo motivadora porque enquanto os homens dão apelidos grandiosos, como se com tais nomes conseguissem ganhar uma guerra e virar lendas, nós mulheres, parecemos carregar o peso da inveja do pênis e acabamos sendo conduzidas a nomenclaturas que apresentam certo nojo e até um menosprezo com nosso órgão, até decorrente de uma baixa autoestima sexual.

Chega a ser engraçado, pra não dizer patético, a forma como é imposto a relação com o órgão sexual feminino. Tais questões denotam certo preconceito ou a carga dos tempos remotos de que mulher não tinha direito ao prazer, não tinha direito a ser. E aí, em pleno século XXI, deparamo-nos com mulheres que tem vergonha do seu órgão, que foi ensinada a dar um nome como se fosse um disfarce, nada que remeta a questões sexuais. São mulheres que foram induzidas a renegar seu órgão ou a simplesmente ignorar.

Depois de queimar sutiã, brigar por direitos iguais, vimo-nos frustradas sexualmente quando precisamos simplesmente aceita-la, simplesmente dar o nome correto. Vamos combinar, não dá pra viver a vida simplesmente ignorando um fígado, ou um rim, ou até mesmo alguns vasinhos, quanto menos a nossa vagina.

Vagina! O nome nem é feito e tem gente com nome pior!!! É um órgão tão perfeito quanto qualquer outro do corpo humano, de uma elasticidade extraordinária ainda tem a adorável função predestinada ao prazer. Está ligada diretamente com todos os outros órgãos e às vezes nos dá sinais muito mais claros. O difícil é ver o sinal de um “ser” ignorado né?


Então, ignorar sua vagina é ignorar você, sua saúde, sua sexualidade. Dê nome aos bois, não a sua vagina. Trate as coisas como elas são e certamente os problemas ficarão muito mais fáceis de ser resolvidos com seus respectivos nomes e não com os disfarces que lhe são dados.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Futuro no Presente

A ansiedade, que é a reação surpreendentemente mais comum e muito presente nos dias atuais, pode ser definida também como “excesso de futuro”. Deixamos de viver o hoje e nos preocupamos tanto com o que vai ou o que pode acontecer que simplesmente não vivemos. O que realmente nos faz fugir do futuro? Seria o estado de calamidade do país? O sistema? Ou simplesmente a nossa vida? De todas as possibilidades citadas a terceira é a mais difícil de resolver porque para que isso ocorra, depende explicitamente e exclusivamente de nós! É a nossa vida e ela precisa ser cuidada agora, hoje e não amanhã, precisa ser vivida e não ficar estacionada na vaga do passado. Preocupamo-nos tanto com o que o outro vai pensar, temos medo do que vai acontecer quando na verdade estamos apenas imobilizados frente a um futuro que nem sabemos quando vai acontecer com a probabilidade de não acontecer por estarmos como estátuas frente as possibilidades.
Não vivemos até, que súbito, nosso corpo chacoalha-nos para mostrar-nos que precisamos viver e, quando olhamos pra trás, percebemos o quanto não vivemos, o quanto deixamos de fazer  e nos encontramos sem perspectiva para o futuro

Percebemos que deixamos de nos amar, de dividir, de estar com pessoas queridas e às vezes, percebemos que deixamos até de sorrir. Desaprendemos a relaxar, a acreditar que somos capazes mesmo motivando todos ao redor; recolhemo-nos em nós de uma maneira peculiar e quando a ficha cai, estamos numa situação como se fôssemos o homem de lata de Alice no país das maravilhas, só gostaríamos de ter um coração, de sentir.

Superprotegemo-nos, não tocamos e nem deixamos ser tocados. Deixamos de abraçar, deixamos de amar. Esquecemos nossos interesses, não pedimos ajuda, afundamos num futuro sem perspectiva sequer para o presente.

O presente é simples e está aí como um presente. Talvez, hoje, não é visto nem aberto com o entusiasmo de um presente, mas só depende de nós vive-lo ao máximo e reconectarmos com nossa alma, voltando a viver ou simplesmente sentir.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

SEXO E OUTROS AMORES: Sim pra mim, não pra você!

SEXO E OUTROS AMORES: Sim pra mim, não pra você!: Não, palavrinha ordinária! Tão pequenina, mas tão forte e, eu diria que até salva vidas. Quantas vezes gostaríamos de dizer não e dizemos s...

Sim pra mim, não pra você!

Não, palavrinha ordinária! Tão pequenina, mas tão forte e, eu diria que até salva vidas. Quantas vezes gostaríamos de dizer não e dizemos sim? Quantas vezes nos pegamos sofrendo e nos perguntando o porquê de termos aceitado tal trabalho, ou ajuda, ou sexo, ou beijo, ou permitido ao invés de não permitir? Por que dizer não é tão sofrível às vezes? 

Quando criança, brincamos de bem me quer e mal me quer sempre torcendo pra dar bem me quer, mas quando crescemos acabamos optando “sem querer” pelo mal me quer porque deixamos que a “sorte” escolha e consequentemente deixamos de fazer nossas escolhas e, pior, sempre achamos justificativas plausíveis pra aceitar o que não gostaríamos de aceitar.

Sempre costumo dizer que quando dizemos não ao outro dizemos sim para nós mesmos. Parece que essa equação monossilábica é resolvida com o verbo permitir. Permitir-se, essa é a resolução. Tantas vezes sacrificamos amigos, maridos, esposas, filhos, prazeres porque simplesmente não conseguimos dizer “não” e aos poucos, como um vírus, somos consumidos pelo trabalho e até por pessoas que convivem do nosso lado que sabem de nossa condição “positiva” frente a um problema a ser resolvido. Daí um dia pensamos: por que só eu? E mais uma vez temos respostas que nos soam coerentes e convincentes. Convencemo-nos de que o melhor para nós é o “não” e para o outro é o “sim”, ou seja, convencemo-nos do mal me quer.

Quando começou? Quando criança? Quando casamos? Quando obtivemos o nosso primeiro emprego? Seria uma discursão muito mais aprofundada, talvez para discutir com um profissional, mas a questão é que pode-se inverter esse processo. Podemos nos permitir, permitir ficar um pouquinho mais na cama, permitir assistir aquele filme que sempre se programou e não consegue ver, permitir ficar mais tempo com seu filho e brincar daquela brincadeira que ele sempre pede e você nunca dispõe de tempo, permitir ficar em sem fazer nada assistindo sessão da tarde ou qualquer outro tipo de filme em que você vai dormir mais do que assistir mas sairá renovado. Por que não? Porque sim!! Porque merecemos e basta apenas acreditar que merecemos.


Quando acreditamos que merecemos demos nossos passos confiantes e acreditamos que viver um dia após o outro é mais leve do que carregar nas costas o passado e não viver o presente preocupado com o amanhã. Não dá pra viver o hoje se não nos permitirmos. Permita-se, viva, diga sim a você! 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A regra é clara?

E existe regra?? Quantas vezes já ouvimos ou até mesmo nos dirigimos a colegas com conselhos como não pode transar no primeiro encontro, o primeiro beijo deve ser assim, em casamento não pode usar tal cor, tem que casar com o rapaz da mesma religião, não diga que está com medo, a lingeri tem que ser de tal cor, não faça isso não faça aquilo ou faça dessa forma senão ele não fica na sua, se você quer namorar não pode fazer tal coisa tem que fazer assim... aff!!! Tantas regras e nada acontece como esperado. De uma certa forma, os relacionamentos seriam muito mais fáceis se seguissem uma regra, uma etiqueta, mas o fato é que para nenhum tipo de relacionamento existe uma regra certa. Acredito que tenham certos princípios como respeito, cumplicidade, amor que, a meu ver, são pilares e não regras, nenhum relacionamento sobrevive sem eles, mas aí são outros quinhentos.

 Assim é a vida, não há receitas nem bulas. Como diz Walter Riso “O amor não é um jogo de indiretas e enigmas para decifrar às 24 horas do dia para saber quando, onde e como vão nos amar”. Somos seres dinâmicos, reagimos a diferentes estímulos e isso que faz com que namoros de 3 meses durem até que a morte os separe e  outros, que duraram 10 anos, sobrevivam apenas a 1 ano de casamento. É o que faz pessoas  que se conheceram numa micarê ou na internet serem felizes e outras casarem com o rapazinho da mesma religião e viverem um inferno.

São tantas regras, mas nenhuma serve pra todos... A questão é, existem regras?? Sim, existem. Mas acredito que elas são relativas quando o assunto é relacionamento. Numa boa relação a linguagem é universal, não há muito o que ser traduzido porque os amantes falam o mesmo idioma, como diz Walter Riso “... ainda que haja um dialeto, são variações de uma mesma língua.” Colocar tudo dentro de um balde só é burrice.

Então, a questão é que a vida não é um jogo, o amor não é um jogo e as regras não são tão claras. A vida é pra ser vivida da melhor forma, enfrentando com coragem seus percalços e contornando com sabedoria as pedras do caminho.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Virar a página

Quem gosta de ler, sabe o quanto é gostoso virar uma página ansioso pelo final. Chega a ser quase como uma degustação, um misto de ansiedade para saber como aquela história vai acabar. Escrever um livro deve ser mais excitante ainda, a cada página, o autor anseia por explanar os detalhes que vão levar ao final daquela história. Por que é tão difícil virar a página na maioria das vezes? Tenho a impressão de que a maioria de nós, confundimos virar a página com recomeçar. Recomeçar pode ser completamente diferente, mas também pode ser complemento do ato de virar a página. Complexo? Talvez.

Cada indivíduo tem sua história, cada um tem sua primeira página, que faz com que ele seja o que é hoje. Um dia, ao em vez de ser um personagem secundário passa a ser o autor, o autor de sua história e sendo assim, o personagem que quiser. Delícia!!! Podemos ser o que quisermos, mas não conseguimos simplesmente ser, porque quando somos mesmo não sendo quem realmente somos, nos apegamos a um eu que não nos pertence e que receamos em desapegar porque é o que conhecemos e não o que de fato somos. Então vem o medo. Medo de virar a página, pegar a caneta da vida e escrever a sua história, ou reescrever a sua vida e ser de fato quem você é. Ora, pra escrever sobre um personagem deve-se saber o que esse personagem gosta, curte, odeia, ama, deve-se saber quem ele e é. Temos vergonha de nós mesmos quando percebemos que não sabemos escrever de nós e sobre nós, quando percebemos que nos  acomodamos aos personagens secundários e tememos o futuro, o papel principal da vida.  Muita responsabilidade?? Mas talvez a responsabilidade seja o preço da liberdade. Liberdade pra conduzir, pra improvisar e até mesmo pra arrancar a folha do livro e reescrever a história. Reescrever....


Virar a página, ir. Virar a página não significa apagar as páginas vividas, afinal de contas, as páginas que ficaram para trás fazem parte da sua história, significa seguir em frente, levantar a cabeça e ir. Assumir o personagem principal, ficar no centro do palco e encarar o público de frente. Difícil? Sim. Impossível? Não. Certa vez li uma frase que dizia “o difícil é o fácil que nunca foi tentado”. Talvez, assumir a caneta do livro da vida seja mais fácil do que ser fantoche da sociedade em que vivemos, seja ela no meio familiar, no trabalho ou na vida afetiva. Tente, mas tente olhando pra frente, escreva o que há de melhor no seu livro, arrisque, inove, mas viva! Vire cada página da sua vida com a certeza de um final feliz!